quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

SALVADOR EM 3D'ALÍ




O fascínio de Dalí para as três dimensões em uma exposição
Museu Figueres reúne seis dípticos criados entre 1972 e 1978

O fascínio de Salvador Dalí para a criação de ilusões de óptica usando a ciência ea tecnologia se reflete na exposição temporária que abriu quinta-feira no Teatro-Museu em Figueres (Alt Empordà). Dalí. Estereoscopia. A pintura em três dimensões em conjunto seis dípticos, ou seja, seis pares de óleos estereoscópicas criados entre 1972 e 1978, com o qual os visitantes podem ver os resultados surpreendentes das invenções Empordà gênio ", de pequeno guiado por sua obsessão para ensinar relógio, criar diferentes ilusões da realidade e fazer as pessoas olharem para diferentes formas de ver a realidade. "

.Os Inovações técnicas em óptica estavam muito interessados ​​em que o artista, bem como descobertas biológicas relacionadas com o mundo da matemática. No final de 1964 centra-se na investigação do chifre de rinoceronte e curvas logarítmicas derivados e estrutura dos olhos de moscas. Isso o levou a dizer que, graças a esta pesquisa descobre pintura em três dimensões.

O catalisador foi as obras do pintor e gravador holandês Baroque Gerrit Dou (1613-1675), que descobriu uma exposição Dali em Paris, que tinha feito cópias de suas pinturas. Segundo o ex-diretor do museu, Antoni Pitxot do artista Girona estava convencido de que não era meras cópias, mas teve que admirar os quadros juntos. O varejo estudado e descobriu que havia pequenas diferenças entre eles. Em algum ponto, comprou duas obras de Dou: A visita do médico e bordador, também conhecido como Retrato da mãe de Rembrandt. O estudo da obra de técnica Dou e estereoscópica o levou a concluir que este autor usou lentes especiais e espelhos para criar uma única pintura, e tornou-se o iniciador desta técnica.

Diferentes pontos focais

O estereoscópica ocorre "quando duas imagens quase idêntica, mas com um ponto de vista diferente focal adaptar à visão dos olhos. A visão de um olho é diferente do outro, de modo que com a ajuda de dispositivos diferentes do cérebro acrescenta as duas imagens e criar a ilusão de profundidade ou terceira dimensão ", disse quinta-feira Montse Aguer , diretor dos museus Dali.

A partir deste início, Dali percebe pares de pinturas, o que representa uma imagem quase idêntica, mas divergindo pontos focais para produzir efeitos tridimensionais no olho de quem vê. Para conseguir um relé perfeita move ligeiramente entre cada imagem em relação ao olho do observador; nunca são duas cópias idênticas. As cores das imagens mudam, às vezes bastante óbvio.

Os visitantes poderão ver seis exemplos de óleos sobre tela desta técnica, embora se saiba, nunca foi em exibição em conjunto. Entre as obras estão Dalí Levantar a pele do Mediterrâneo para mostrar Gala do Nascimento de Venus, 1978; A estrutura do DNA, 1975-76, de acordo com "Las Meninas" de Velázquez, em torno de 1975-76, inspirado pelo pintor sevilhano que disse que "ele tinha um tipo de pintura fotográfica." Ao lado de cada composição são dispositivos instalados que permitem visualização tridimensional. "Temos adaptado ao século XXI os mecanismos propostos na Dalí anos setenta para assistir estereoscópica seu trabalho", disse Aguer.

FONTE: EL PAÍS MARTA RODRÍGUEZ

Tradutor google




domingo, 19 de fevereiro de 2017

RADUAN



Raduan Nassar: "Vivemos tempos sombrios"
por Redação — publicado 17/02/2017 11h00, última modificação 17/02/2017 09h44
Em seu pronunciamento na entrega do Prêmio Camões de literatura, o escritor critica o golpe, o governo Temer e o STF. Leia a íntegra

Às dez e meia da manhã desta sexta-feira 17, o escritor Raduan Nassar subiu ao palco montado no Museu Lasar Segall, em São Paulo, para receber o Prêmio Camões de 2016, honraria concedida pelos governos do Brasil e Portugal e um dos principais reconhecimentos da literatura em língua portuguesa. Nassar ofereceu à plateia o seguinte discurso:
Excelentíssimo Senhor Embaixador de Portugal, Dr. Jorge Cabral.
Senhor Dr. Roberto Freire, Ministro da Cultura do governo em exercício.
Senhora Helena Severo, Presidente da Fundação Biblioteca Nacional.
Professor Jorge Schwartz, Diretor do Museu Lasar Segall.
Saudações a todos os convidados.
Tive dificuldade para entender o Prêmio Camões, ainda que concedido pelo voto unânime do júri. De todo modo, uma honraria a um brasileiro ter sido contemplado no berço de nossa língua.  
Estive em Portugal em 1976, fascinado pelo país, resplandecente desde a Revolução dos Cravos no ano anterior. Além de amigos portugueses, fui sempre carinhosamente acolhido pela imprensa, escritores e meios acadêmicos lusitanos.
Portanto, Sr.Embaixador, muito obrigado a Portugal.
Infelizmente, nada é tão azul no nosso Brasil.
Vivemos tempos sombrios, muito sombrios: invasão na sede do Partido dos Trabalhadores em São Paulo; invasão na Escola Nacional Florestan Fernandes; invasão nas escolas de ensino médio em muitos estados; a prisão de Guilherme Boulos, membro da Coordenação do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto; violência contra a oposição democrática ao manifestar-se na rua. Episódios todos perpetrados por Alexandre de Moraes.
Com curriculum mais amplo de truculência, Moraes propiciou também, por omissão, as tragédias nos presídios de Manaus e Roraima. Prima inclusive por uma incontinência verbal assustadora, de um partidarismo exacerbado, há vídeo, atestando a virulência da sua fala. E é esta figura exótica a indicada agora para o Supremo Tribunal Federal.
Os fatos mencionados configuram por extensão todo um governo repressor: contra o trabalhador, contra aposentadorias criteriosas, contra universidades federais de ensino gratuito, contra a diplomacia ativa e altiva de Celso Amorim. Governo atrelado por sinal ao neoliberalismo com sua escandalosa concentração da riqueza, o que vem desgraçando os pobres do mundo inteiro.
Mesmo de exceção, o governo que está aí foi posto, e continua amparado pelo Ministério Público e, de resto, pelo Supremo Tribunal Federal.
Prova da sustentação do governo em exercício aconteceu há três dias, quando o ministro Celso de Mello, com suas intervenções enfadonhas, acolheu o pleito de Moreira Franco. Citado 34 vezes numa única delação, o ministro Celso de Mello garantiu, com foro privilegiado, a blindagem ao alcunhado “Angorá”. E acrescentou um elogio superlativo a um de seus pares, o ministro Gilmar Mendes, por ter barrado Lula para a Casa Civil, no governo Dilma. Dois pesos e duas medidas
É esse o Supremo que temos, ressalvadas poucas exceções. Coerente com seu passado à época do regime militar, o mesmo Supremo propiciou a reversão da nossa democracia: não impediu que Eduardo Cunha, então presidente da Câmara dos Deputados e réu na Corte, instaurasse o processo de impeachment de Dilma Rousseff. Íntegra, eleita pelo voto popular, Dilma foi afastada definitivamente no Senado.
 O golpe estava consumado!
 Não há como ficar calado.
 Obrigado

 Fonte: Carta Capital

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

RESISTÊNCIA POR NADA



Metropolitan libera os direitos de 375.000 imagens de suas obras
Acordo do museu de Nova York com “Creative Commons” permite fazer download, usar e modificar o conteúdo do catálogo
EL PAÍS
Museu Metropolitano de Nova York (Met), uma das instituições de arte mais importantes do mundo, anunciou na última terça-feira, através de um comunicado, sua decisão de liberar cerca de 375.000 obras de seu catálogo digital como imagens de domínio público. Graças a essa nova política de acesso, as peças já estão disponíveis online sob uma licença Creative Commons Zero (CC0), que permite a qualquer pessoa baixar, usar e modificar as obras sem restrições e sem precisar atribuí-las ao autor original.
Ao contrário de uma iniciativa de 2014, pela qual o museu deu acesso na web às peças agora liberadas, com essa licença os usuários poderão se apropriar delas sem necessidade de obter permissões ou quotas. O catálogo inclui um grande leque de obras em alta resolução, de esculturas até gravuras, fotografias e pinturas.
O diretor do museu, Thomas P. Campbell, explica que essa mudança transforma o Museu Metropolitano em “uma das maiores e mais diversificadas coleções de acesso aberto do mundo”, abrangendo 5.000 anos de história da arte de todo o mundo. Seu conteúdo é, como explica o Met, produto de horas de trabalho dedicadas a digitalizar o catálogo do museu na íntegra, 147 anos. Um rigoroso trabalho feito por fotógrafos, técnicos, curadores e até mesmo estagiários que passaram por suas salas.
Nomes como BotticelliDegasHokusai e Rodin são alguns que vão aparecer nesse banco de dados que levará o Met a se juntar à lista de museus com coleções digitais sob licença CC0. É encabeçada pelo Walters Art Museum, da cidade de Baltimore, que em 2012 adotou a mesma política ao liberar cerca de 18.000 imagens. Foi seguido por instituições como o Rijksmuseum de Amsterdã, a Tate Gallery de Londres e, mais recentemente, pelo MoMA de Nova York, com 120.000 imagens.
Loic Tallon, diretor digital do museu, comentou que esta decisão é “um emocionante marco na evolução digital do Met”. Isso é corroborado pelas novas colaborações anunciadas pelo museu na mesma terça-feira. Creative Commons não será o único aliado: também vai contar com a ajuda de outras entidades como a Biblioteca Digital Pública dos Estados Unidos, Artstor, Wikimedia e Pinterest. Juntos, vão trabalhar no projeto do museu para conseguir expandir seu público além dos 30 milhões de usuários que já visitam seu site, abrindo as portas digitais para todos os públicos possíveis.



quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

DIREITA, VOLVER

São Paulo está matando a própria cultura', diz curador alemão de arte urbana


Clarissa Neher | Deutsche Welle | São Paulo - 27/01/2017 - 18h01
Curadores e colecionadores de arte urbana consideram iniciativa da prefeitura de apagar grafites uma forma de censura; cidade é referência mundial, com obras que entraram para a História da arte  

A iniciativa do prefeito João Doria de apagar grafites em São Paulo causou indignação entre artistas e têm impulsionado protestos na cidade. Especialistas em arte urbana ouvidos pela DW Brasil consideram a medida uma forma de censura e criticam a ausência de embasamento técnico para a decisão.

"São Paulo está matando sua própria cultura", diz o curador alemão e especialista em arte urbana não-autorizada Robert Kaltenhäuser. "Talvez se lerá sobre isso nos livros de história no futuro, assim como hoje lemos sobre a tentativa dos fascistas de eliminar a arte moderna considerada 'degenerada'. Talvez os murais terão que ser restaurados por milhões daqui a 20 anos."
Já durante a campanha eleitoral, Doria anunciou que iria combater as pichações. Ao tomar posse, o tucano instituiu o programa Cidade Linda e mandou pintar de cinza muros que expunham grafites. O programa da prefeitura acabou com o maior mural de grafite a céu aberto da América Latina, na Avenida 23 de Maio.
Do dia para a noite, obras de cerca de 200 grafiteiros na avenida foram cobertas de cinza. O projeto artístico, encomendado pelo ex-prefeito Fernando Haddad, custou 1 milhão de reais. Apenas oito obras foram preservadas. Segundo a prefeitura, foram apagadas pinturas que estariam danificadas devido à ação de pichadores e do tempo.
Para o diretor da Galeria Kronsbein, de Munique, Valeri Lalov, uma decisão como essa só poderia ter sido tomada após uma avaliação sobre as obras feita por especialistas. A análise deveria abordar aspectos como autor, significado e mensagem da arte, além de verificar se realmente os desenhos estavam danificados e poderiam ser apagados.


Grafiteiros em SP: 'não há nenhuma cidade no mundo que tenha atualmente tanto significado para a arte urbana global como São Paulo', diz Robert Kaltenhäuser
O colecionador alemão de arte urbana Rik Reinking, avalia a iniciativa da prefeitura de São Paulo como um claro sinal. "Infelizmente, um sinal na direção errada, pois se trata, primeiramente, de censura ao pensamento livre e à criatividade", destaca o especialista, que possui obras de artistas brasileiros de renome, como Os Gêmeos, Vitché e Herbert Baglione.

Grafite como arte
São Paulo é considerada a capital mundial do grafite. Dela saíram muitos artistas consagrados internacionalmente, como Os Gêmeos, Eduardo Kobra, Nunca (Francisco Rodrigues da Silva), Zezão, Vitché, Herbert Baglione e Tinho (Walter Nomura).
"Além de Nova York, não há nenhuma cidade no mundo que tenha atualmente tanto significado para a arte urbana global como São Paulo", afirma Kaltenhäuser, acrescentando que na cidade brasileira foram criadas novas formas de grafite que inclusive já entraram para a História da arte.
O grafite moderno surgiu no fim da década de 1960, nos Estados Unidos, e usava basicamente a escrita como forma de manifestação. Em meados da década de 1980, esse estilo tornou-se um fenômeno em Nova York, com a publicação de livros e filmes sobre o tema. Nesta época, foi consagrado um dos artistas mais conhecidos da cena, o norte-americano Jean-Michel Basquiat.
A partir de meados de 1990, foram desenvolvidas novas técnicas artísticas, incluindo a redescoberta do mural – com pinturas de grande extensão e motivos variados. E, neste desenvolvimento, o Brasil e principalmente artistas de São Paulo, como Os Gêmeos, têm um papel fundamental. 
De acordo com Kaltenhäuser, o desenvolvimento desta técnica no país está relacionado às dificuldades de acesso à tinta de spray, no final dos anos 1980. Para superar essa barreira, artistas urbanos brasileiros passaram a usar tinta látex para pintar grandes superfícies, inspiradas na cultura popular latino-americana.
Acesso ao público
No caminho inverso ao de São Paulo, outras metrópoles mundiais, como Londres, Nova York e Berlim, usam a arte de rua para promover o turismo – apesar de proibirem grafite em espaços não-autorizados.
Na capital alemã, por exemplo, a página da própria prefeitura na internet oferece dicas de passeios destacando obras de grafiteiros de renome presentes na cidade, incluindo um mural de Os Gêmeos. Neste ano, será inaugurado ainda na capital alemã um grande museu de arte urbana contemporânea, o Urban Nation.
Em 2013, Frankfurt promoveu uma grande exposição a céu aberto com artistas urbanos brasileiros. Nunca, Zezão, Tinho, Jana Joana, Vitché, Alexandre Orion, Herbert Baglione, entre outros, coloriram a cidade com suas obras. Há murais de brasileiros em outras cidades alemãs, como Munique e Wupertal.
A diretora do Museu Urban Nation, Yasha Young, destaca que o principal diferencial deste tipo de manifestação artística é a sua aproximação e seu diálogo direto com o público.
"Nenhuma outra forma de arte é tão próxima das ruas, dos bairros e dos seus moradores. A arte urbana não segue objetivos comerciais, ela estimula a reflexão, além de inspirar, embelezar, irritar, movimentar, unir e ser vista por todos. Assim, por meio de posições artísticas, são transmitidas a um público amplo mensagens críticas da sociedade sobre acontecimentos mundiais atuais", afirma Young.
Inspirada em Miami
Sob críticas, a prefeitura de São Paulo alega que o projeto Cidade Linda visa valorizar a arte urbana na cidade e reservará espaços autorizados para essa prática. Doria anunciou que pretende criar um grafitódromo inspirado num projeto de Miami. Para o curador alemão Kaltenhäuser, a ideia é absurda.
"São Paulo foi a inspiração para o projeto de Miami, cidade que não tem tradição em arte urbana. Ele quer destruir algo nativo para copiar uma cópia do modelo da sua própria cidade. Seria como se a Alemanha resolvesse destruir todas as cervejarias daqui para importar o modelo dos Estados Unidos", argumentou Kaltenhäuser.
Apesar de condenar a decisão de apagar grafites, o especialista acredita que ela pode ser vista também com um novo desafio para a arte.