Rafael Cortez diz que Flip é elitista, mas lamenta
que "CQC" não esteja lá
Rodrigo Casarin
Do UOL
O ator e apresentador do "CQC" Rafael Cortez
Ator, jornalista e apresentador do programa "CQC" (Band),
Rafael Cortez também mostrará o seu lado literário. Neste sábado (4), ele se
apresentará na Pousada Aconchego, em Paraty, onde vai ler três contos de Mário
de Andrade entremeados por improvisos no violão –as senhas para a leitura
começarão a ser distribuídas às 18h.
O evento faz parte da vasta
programação que acontece paralelamente à Festa Literária de Paraty (Flip), da
qual Cortez garante ser um habitué, apesar dos altos preços na cidade durante o
evento. "Adoro a Flip, mas ela é muito elitista. Se hospedar, comer, tudo
aqui é muito caro", diz em entrevista ao UOL.
Ao ser questionado sobre suas preferências literárias, Cortez desfila
uma lista de escritores: José Mauro Vasconcellos, Mario Prata, Luis Fernando
Veríssimo, Nelson Rodrigues... Admite, contudo, que conhece pouco da obra
de quem homenageará amanhã. "Assumo isso, por mais que pegue mal. O Mário
de Andrade era muito plural, então não o conheço o suficiente ainda."
Sobre o hábito de leitura, Cortez se define como um produto dos nossos
tempos. "Gostaria de ler mais. Literatura é repertório, e você não é nada
sem repertório".
Audiobooks de Machado
Fã também de Machado de Assis, o ator foi o responsável por dar voz a
algumas obras do Bruxo do Cosme Velho. Foi Cortez quem fez a narração das
versões em áudio de "Dom Casmurro", "O Alienista",
"Memórias Póstumas de Brás Cubas" e "Quincas Borba",
trabalho que diz ter sido um dos mais desafiadores que já realizou. "É
muito difícil dar voz ao Machado, especialmente em 'Memórias Póstumas'. Ele tem
passagens extremamente visuais. Tem um capítulo que é cheio de exclamações,
ponto e vírgulas..."
Outro desafio, segundo ele, é dar o tom exato ao livro em áudio.
"Não pode ser uma leitura muito apaixonada. Senão, quem está ouvindo
presta atenção no cara que está falando, não na obra. Em uma leitura como a de
amanhã, aí já é diferente, é necessário se impor para prender a atenção do
público."
Cortez ainda citou o hábito cada vez mais comum entre as pessoas de realizar
leituras dinâmicas e superficiais. Ele disse que muitos fãs o criticam por
escrever textos longos nas redes sociais. "Eles comentam: 'Legal, mas não
vou ler porque é comprido'".
A respeito do "CQC", disse que teria uma crítica construtiva
para fazer. "Lamento que o programa não cubra a Flip. É uma festa aberta,
com povo, escritores andando pelas ruas, gente famosa... Tenho certeza de que
encontraríamos um recorte legal, engraçado para fazermos algo aqui."
Raul Seixas completaria 70 anos; leia curiosidades sobre sua vida
THALES DE MENEZES
DE SÃO PAULO
Este domingo marca os
70 anos de nascimento do cantor Raul Seixas (1945-1989), saudado como 'maluco
beleza' por gerações de fãs. Leia aqui curiosidades que contam a sua vida, de A
a Z:
A
- 'AOS TRANCOS E BARRANCOS'
O único samba composto por Raul saiu no disco "Sociedade da Grã-Ordem
Kavernista Apresenta Sessão das Dez", projeto de 1971 criado por ele com
os cantores Sergio Sampaio e Miriam Batucada e o cantor/ator Edy Star.
B-
BRUCE SPRINGSTEEN
Em setembro de 2013, o roqueiro americanoveio ao país para o Rock in Rio. Dias
antes, deushow em São Paulo e surpreendeu a plateia aocantar "Sociedade
Alternativa", com guitarra pesada e português decorado; ele repetiu a dose
no Rio.
C-CCBS
Raul foi contratado pela gravadora CBS comoprodutor em 1968, por indicação de
Jerry Adriani. Produziu muita coisa anonimamente. Fez parceria com Leno (da
dupla Leno & Lilian) e compôs músicas para astros da jovem guarda.
D-
DIABETES
A condição de diabético foi determinante na morte de Raul, no dia 21 de agosto
de 1989. Ele sofreu parada cardíaca atribuída ao alcoolismo e ao fato de não
ter tomado insulina no dia anterior, o que provocou uma pancreatite aguda
fulminante.
E-ELVIS
PRESLEY
Quando adolescente, Raul escreveu em um diário uma lista de seus cantores
favoritos. Ele repetiu nas cinco primeiras linhas o nome de Elvis Presley. Raul
foi obcecado pelo ídolo e tentava (com sucesso) imitar sua voz e a postura no
palco.
F-FANÁTICOS
Seus fãs radicais consideram o cantor o único roqueiro brasileiro. Todo dia 21
de agosto, data de sua morte, eles se reúnem na Passeata Raul Seixas, no centro
de São Paulo, muitos fantasiados de Raulzito. Como o ídolo Elvis, ele passou a
ser personificado. Em 1992, o extinto jornal "Notícias Populares"
promoveu jogo de futebol de sósias de Elvis X imitadores de Raul.
G-
'GITA'
Em junho de 1974, esta música inspirada em textos sagrados do hinduísmo colocou
Raul e seu parceiro Paulo Coelho como "profetas" da música
brasileira. O clipe gravado para o programa "Fantástico" popularizou
a canção.
H-
HOLLYWOOD ROCK
Raul participou deste festival em 1975, no Rio, ao lado de Erasmo Carlos, O
Peso e Rita Lee & Tutti-Frutti. Saiu um LP de mesmo nome, que era um falso
disco ao vivo, com aplausos e gritos sobrepostos às versões das músicas em
estúdio.
I-INFANTIL
Raul ganhou inesperada fatia de fãs infantis em 1983, ao cantar
"Carimbador Maluco" no especial da Globo "Plunct Plact
Zuuum". Lançada também em seu álbum daquele ano, "Raul Seixas",
deu a ele um disco de ouro.
J
- JERRY ADRIANI
Cantor romântico associado à jovem guarda e ao boom de músicas italianas no
Brasil nos anos 1960, Adriani contratou várias vezes Raulzito e os Panteras
como banda de apoio em shows. Ele e Raul dividiam admiração por Elvis Presley.
K
- 'KRIG-HA, BANDOLO!'
Lançado em julho de 1973, foi o álbum que transformou Raul em ídolo nacional,
puxado por seu primeiro grande sucesso, "Ouro de Tolo". Outros
clássicos do disco: "Metamorfose Ambulante", "Mosca na
Sopa" e "Al Capone".
L
- 'LET ME SING, LET ME SING'
O primeiro compacto da carreira de Raul, de setembro de 1972, traz uma música
com letra em português, mas com o refrão em inglês. Ele defendeu essa mistura
de rock and roll e baião no Festival Internacional da Canção daquele ano.
M
- MARCELO NOVA
Também baiano, o cantor da banda Camisa de Vênus resgatou Raul em sua fase
derradeira. A dupla fez turnê de 50 shows e gravou o álbum "A Panela do
Diabo", lançado em 19 de agosto de 1989, dois dias antes da morte de Raul.
N
- NAMORADAS E MULHERES
A primeira mulher de Raul foi Edith Wisner, que conheceu em 1963. Ele também
viveu com Glória Vaquer (1975), Tania Menna Barreto (1978), Angela Affonso
Costa (1979) —Kika Seixas, que cuida de seu legado— e Lena Coutinho (1982)
O
- 'OURO DE TOLO'
O segundo compacto de Raul, lançado em maio de 1973, estourou em todo o Brasil
com sua letra que criticava a sanha consumista do "milagre
brasileiro". Raul lançou o single cantando no meio da avenida Rio Branco,
em São Paulo
P
- PAULO COELHO
O escritor brasileiro mais vendido no mundo foi parceiro de Raul nos anos 1970.
Eles se separaram em 1976, ainda amigos, deixando hits como "Gita",
"Medo da Chuva", "Sociedade Alternativa", "Tente Outra
Vez" e "A Maçã".
Q
- QUASE LINCHADO
No começo dos anos 1980, Raul viveu altos e baixos. Em 1982, cantou para 150
mil pessoas em show na praia, em Santos. Mas, no ano seguinte, apresentou-se
bêbado em Caieiras (SP) e foi agredido violentamente pela plateia, que pensava
ser ele um imitador.
R
- RAULZITO E OS PANTERAS
O primeiro álbum de Raul saiu em janeiro de 1968, com a banda que tinha Eládio
Gilbraz (guitarra), Mariano Lanat (baixo) e Carleba (bateria). Raul compôs oito
das 12 faixas. O sucesso do cantor transformou o disco em peça de colecionador.
S
- SOCIEDADE ALTERNATIVA
Raul e Paulo Coelho criaram 1974 a Sociedade Alternativa, com sede oficial e
registro de entidade. Eles tinham como inspiração o "Livro da Lei",
do bruxo inglês Aleister Crowley e o lema do grupo era "faça o que tu
queres pois é tudo da lei".
T
- 'TOCA, RAUL'
Entre as várias explicações para o surgimento de uma das expressões mais
lendárias da música brasileira há a de que o público nos shows de Marcelo Nova,
nos anos 1990, pedia para que ele tocasse músicas de Raul, com quem teceu
parceria.
U
- 'UAH-BAP-LU-BAP-LAH-BEIN-BUM'
Gravado em 1986, mas só lançado no ano seguinte, traz o sucesso "Cowboy
Fora da Lei" e foi o terceiro disco mais vendido do cantor, atrás apenas
de "Gita" (1974), e "Raul Seixas" (1983).
V
- VIVI SEIXAS
Atuando como DJ desde 2006, Vivi é a única filha de Raul que se arrisca na
música. Ela é filha de Kika Seixas. Ele tem mais duas filhas, Simone (com Edith
Wisner) e Scarlet (com Glória Vaquer).
W
- WALDIR SERRÃO
Foi com Serrano que Raul fundou, ainda na escola, o Elvis Rock Club. Seus
biógrafos concordam que a amizade com ele foi fundamental no desenvolvimento do
músico e sua paixão pelo rock.
X
- XORORÓ
Sempre ao lado de Chitãozinho, Xororó regravou "Tente Outra Vez" no
disco "Tamanho do Nosso Amor", de 2013.
Y
- YOUTUBE
Uma pesquisa simples pelo nome "Raul Seixas" na plataforma digital de
vídeos oferece mais de 45 milhões de resultados, entre clipes, entrevistas,
letras de música e citações.
Z
- ZÉ RAMALHO
Fã declarado de Raul, Zé Ramalho já dedicou shows ao repertório do ídolo. Ele
lamenta que Paulo Coelho não dê autorização para a regravação das canções que
escreveu com Raul, o que limita o repertório que pode ser gravado.
Hoje na História: 1962 - É
fundada a banda de rock britânica The Rolling Stones
Max
Altman | São Paulo -
Com mais de 50 anos de carreira e milhões de álbuns
vendidos, é um dos mais antigos grupos em atividade
Em 25 de maio de 1962, na Inglaterra, nascia The
Rolling Stones, uma das bandas de rock mais antigas ainda em atividade. Ao
lado dos Beatles, os Rolling Stones foram considerados os mais importantes
da chamada “Invasão Britânica” dos anos 1960, tendo influenciado diversos
grupos musicais posteriores e, além disso, os próprios costumes da sociedade da
época.
Formado por Brian Jones, Keith Richards, Mick
Jagger, Bill Wyman e Charlie Watts, o grupo se inspirou no blues para criar
seus ritmos. Em 50 anos de carreira, a banda tornou-se conhecida em todo o
mundo por sucessos como “Beast of Burden”, “Tumbling Dice”, “Ruby Tuesday”,
“Wild Horses” “(I Can’t Get No) Satisfaction”, “Sympathy for the Devil” e
“Angie”. Os Rolling Stones já venderam mais de 240 milhões de álbuns no mundo
inteiro.
[Logotipo oficial dos Rolling Stones]
Tudo começou em 1960, quando Mick e Keith, dois
amigos de infância, se reencontraram em um trem na estação de Dartford,
Inglaterra, e descobriram um interesse em comum por blues e rock and roll.
Foram convidados pelo guitarrista Brian Jones em 1962 a montar uma banda que se
chamaria The Rolling Stones. O nome foi utilizado pela primeira vez em sua
apresentação no Marquee Club de Londres em 12 de julho de 1962.
A boa repercussão nas apresentações ao vivo, somada
à habilidade promocional de seu empresário, levou a banda a um contrato com a
Decca Records. O empresário promove a banda com imagem de rebeldes e cria a
pergunta: Você deixaria sua filha se casar com um Rolling Stone?.
Os primeiros singles foram bem aceitos. O primeiro álbum, intitulado The
Rolling Stones, saiu em abril de 1964, contendo apenas uma composição de Jagger
e Richards. Pouco a pouco, tendo em Out Of Our Heads, de 1965, o primeiro de uma
série de discos, composições da dupla Jagger-Richards passaram a ser
valorizadas. É nesse ano que a banda lança seu maior hit de todos os tempos,
“(I Can't Get No) Satisfaction”.
Com o álbum Aftermath, de 1966, a banda começaria uma fase de músicas mais
longas e de arranjos mais elaborados. O flerte com o rock psicodélico e
experimental teria seu ápice em Their Satanic Majesties Request, de 1967. Com
Beggar's Banquet (1968) haveria a volta ao estilo mais próximo ao R&B que
os fizeram famosos. São desta época dois dos maiores hits da banda, Jumpin'
Jack Flash e a controversa Sympathy For The Devil - que Mick disse ter se
inspirado em uma visita a um centro de candomblé na Bahia - música responsável
pela maior parte das acusações de satanismo que a banda iria sofrer desde
então.
Em 1969 Brian Jones oficialmente abandona os Stones, sendo substituído por Mick
Taylor. Poucos dias depois, Jones seria encontrado morto afogado em sua piscina
em Sussex, em circunstâncias pouco esclarecidas. Na semana seguinte, a banda
deu um concerto memorável no Hyde Park, Londres, diante de um público de 300
mil pessoas. O palco estava decorado com uma enorme foto colorida de Jones.
Jagger, vestido de branco, interrompeu a apresentação para ler uma passagem do
poema Adonais de Percy Shelley, em memória do amigo problemático, enquanto três
mil borboletas eram soltas ante a emoção da plateia.
Em 6 de dezembro de 1969, o grupo chegou a
Altamont, Califórnia, para uma apresentação ao ar livre, com plateia de mais de
meio milhão de espectadores. A segurança estava sob responsabilidade da agência
Hell’s Angels, uma gangue de motoqueiros violentos e arrogantes. Quando os
Rolling Stones finalmente foram se apresentar, a multidão ficou histérica, e os
Hell’s Angels reagiram selvagemente. No dia seguinte os Rolling Stones tomaram
conhecimento de que quatro pessoas haviam sido assassinadas. O que aconteceu
naquele fatídico dia está registrado no filme “Gimme Shelter”, de 1970. Ainda
em 1969 os Stones lançaram Let It Bleed, visto como sátira ao Let It Be, dos
Beatles. Em 1970 sai Get Your Ya-Ya's Out, o primeiro disco ao vivo, gravado no
Madison Square Garden.
Em 1971 a banda passa para a Atlantic Records, estreando o selo próprio,
Rolling Stones Records. Nesse ano o grupo lançou um dos seus álbuns mais
curiosos, Sticky Fingers, cuja capa foi idealizada por Andy Warhol com uma foto
de uma pélvis atribuída a Jagger e cujo LP original possuía um zíper que podia
ser aberto e mostrava a figura de uma cueca.
Keith Richards, encontrando-se no interior da França para tentar se livrar das
drogas, chama Mick Jagger para compor. Os dois se juntam por várias
semanas e produzem dezenas de novas composições. Para lá é enviado o estúdio
móvel de gravação da Rolling Stones Records. Após a mixagem lançam, em 1972, o
álbum duplo Exile on Main Street, considerado pelos críticos como o melhor
álbum da banda pela sua consistência, plasticidade e versatilidade que inclui
“Tumblind Dice”, hit até os dias de hoje.
Em 1973 lançam o álbum Goats Head Soup, conhecido pelo hit “Angie” e pela
polêmica “Star Star”. Em 1974 gravam o clássico “It's Only Rock'n'Roll”. Com a
saída repentina de Mick Taylor, Wood assume a segunda guitarra.
Embora a turnê de 1975 tenha sido batizada de Tour Of The Americas pois previa,
além dos Estados Unidos e Canadá, shows no Brasil, México e Venezuela, estes
últimos não ocorreram por restrições políticas dos governantes, preocupados com
a imagem de desordeiros e drogados da banda, que desagradava seus
regimes.
Lançam, então, Black & Blue (1976), um disco mais intimista com fortes
participações de convidados, como Billy Preston. O álbum seguinte é Love You
Live (1977), gravado na turnê européia de 1976, bastante heterogêneo. Em (1978)
lançam Some Girls, que era bem mais pesado do que os recentes trabalhos. Este
disco é fortemente influenciado pelo movimento punk surgido na Inglaterra no
ano anterior, com temas rápidos e agressivos como “Respectable” e “When The
Whip Comes Down”. A nova turnê pelos Estados Unidos mostrou a tendência visual
a ser explorada: moda de shows gigantescos de duração de três horas, palcos
móveis e desmontáveis e toneladas de equipamentos de som e luz. Em 1980 lançam
um disco mais linear, Emotional Rescue, com o hit de mesmo nome.
Em 1981 a banda deixa a Atlantic Records e assina
com a EMI. O álbum de estreia é Tatoo You, tido pelos fãs como o melhor álbum
da banda. Nele se destacam inúmeros sucessos como a explosiva “Start Me Up” e a
balada “Waiting On A Friend”.
Lançam em solo norte-americano, em 1982, o álbum ao vivo Still Life e o filme
Let's Spend the Night Together, sob a direção de Hal Ashby, exibindo o vigor
juvenil de Jagger e a reabilitação de Richards das drogas.
O relacionamento entre os membros da banda não era
dos melhores, com desentendimentos freqüentes entre Jagger e Richards.
Especulações sobre o fim da banda duraram seis anos, embora o clima ruim não
impedisse que continuassem sendo lançados álbuns de repercussão cada vez maior.
Os Stones adentraram a década de 90 com uma nova gravadora, a CBS, em meio a
rumores de que Jagger e Richards não podiam nem mesmo dividir uma mesma sala
sem se engalfinharem. Todavia, os problemas pessoais foram colocados de lado e
a banda se apresentou como nos velhos tempos. Reflexo disso é o álbum
Flashpoint de 1990, que traz os Stones de volta aos palcos depois de sete
anos.
Outro membro original, Bill Wyman, deixa o grupo em
1993. Para o seu lugar é escalado o baixista Darryl Jones, músico apenas
contratado, não sendo considerado membro oficial.
Em 1994, após um longo período de inatividade, é lançado com grande
estardalhaço o álbum Voodoo Lounge, seguido pela turnê internacional de mesmo
nome que se iniciou em 19 de julho de 1994 e foi encerrada em 30 de agosto de
1995, tendo arrecadado em torno de 400 milhões de dólares.
No ano seguinte lançam The Rock and Roll Circus, trilha sonora de um filme
arquivado desde 1968 com a inclusão de diversos artistas. Ainda em 1997 sai
Bridges of Babylon, com uma capa luxuosa e uma excursão mundial igualmente
grandiosa. Com dois shows no Brasil e com participação especial de Bob Dylan,
confirmaram o país com status de rota obrigatória. Retrato dessa turnê foi o
lançamento do álbum ao vivo No Security, em 1998.
Para comemorar os 40 anos do grupo, em 2002 lançam o álbum duplo Forty Licks
que traz, além de 36 sucessos da banda, 4 novos hits: “Don't Stop”, “Keys To
Your Love”, “Stealing My Heart” e “Losing My Touch”. Em agosto do mesmo ano
empreendem uma de suas maiores turnês - a Licks Tour – que passou por todos os
continentes, encerrada em novembro de 2003. Ao final do mesmo ano lançam o
esplêndido DVD quádruplo Four Flicks, mostrando cada um dos formatos de suas
apresentações e toda a vitalidade dos músicos sessentões.
Quando todos imaginavam o fim da banda, devido a um câncer na garganta do
baterista Charlie Watts, o vigor incansável do quarteto com ênfase nas belas
letras de Jagger e Richards produz um de seus melhores álbuns de estúdio.
Lançado em 2005, A Bigger Bang traz uma sonoridade crua e voltada às raízes da
banda: rock and roll, blues e rhythm and blues, além das pegadas das guitarras
da dupla Richards/Wood, bem como para a harmonia melodiosa de Jagger.
Em 18 de fevereiro de 2006, os Rolling Stones voltaram ao Brasil para o show da
turnê A Bigger Bang. O show, realizado nas areias de Copacabana para um público
estimado em 1,5 milhão de pessoas, entrou para a história como um dos maiores
concertos de rock de todos os tempos.
Dois anos após a turnê A Bigger Bang, que arrecadou 437 milhões de dólares,
recorde na história da música, os Stones anunciaram, em 22 de março de 2007,
uma lista de novos shows pelo velho continente, que durou mais de um ano, com
arrecadação de 560 milhões, novo recorde, apresentando-se para quase seis
milhões de espectadores, inesgotável energia que os movia por mais de 45 anos
de estrada. Em 12 de junho de 2007, foi lançado o DVD The Biggest Bang com mais
de sete horas de shows.
Em 04 abril de 2008, estreou em cinemas no mundo
inteiro o filme The Rolling Stones Shine a Light, dirigido por Martin Scorsese
- um declarado fã da banda.
Primeiro-ministro grego adverte: não
é Atenas que está em jogo; aceitar imposições da oligarquia financeira
equivaleria a abolir democracia na Europa
Dia 25 de janeiro,
o povo grego tomou uma decisão corajosa. Ousaram desafiam a austeridade
rigorosa, que era como via de mão única, e exigiram novo acordo. Vale dizer,
novo acordo que permitisse à Grécia voltar ao caminho do crescimento — dentro
da eurozona, e com programa econômico viável —, ao mesmo tempo em que se
evitariam os erros do passado.
O povo grego já
pagou um preço pesado por aqueles erros passados. Em cinco anos, o desemprego
saltou para 28% (e chega a 60% entre os mais jovens), e a renda média caiu 40%,
o que fez da Grécia o estado da União Europeia com o maior índice de
desigualdade social, segundo números do Eurostat.
Pior que isso,
mesmo com o grande dano que causou ao tecido social na Grécia, aquele programa
de nada serviu para devolver competitividade à economia grega, e a dívida
pública inchou, de 124 para 180% do PIB. Apesar dos grandes sacrifícios que o
povo grego fez, a economia do país continua mergulhada na mesma incerteza
gerada pelos objetivos irrealizáveis da doutrina dos orçamentos equilibrados.
Assim, o país foi preso num círculo vicioso de austeridade e recessão.
O principal
objetivo do governo grego ao longo dos últimos quatro meses tem sido pôr fim a
esse círculo vicioso e a essa incerteza. Agora, mais que nunca, é necessário um
acordo mutuamente benéfico que fixe objetivos realistas para o superávit
orçamentário, ao mesmo tempo em que reintroduzimos um programa de
desenvolvimento e investimento: uma solução definitiva para a situação grega.
Sobretudo, tal acordo poria fim à crise econômica europeia que eclodiu há sete
anos; e poria fim ao ciclo de incerteza na eurozona.
A Europa hoje tem
capacidade para tomar as decisões que produzirão forte recuperação na economia
grega e europeia, encerrando qualquer possibilidade de “Grexit” [saída da Grécia da União Europeia]. Tal
possibilidade é uma barreira à estabilização de longo prazo da economia
europeia, e a qualquer minuto pode derrubar a confiança de cidadãos e
investidores na moeda conjunta europeia.
Mesmo assim, há
quem diga que a Grécia nada estaria fazendo para ajudar a avançar nessa
direção, porque chega às negociações com atitude intransigente, e sem oferecer
qualquer proposta. Mas será realmente assim?
Considerando-se que
o momento que atravessamos é de importância crítica, pode-se dizer, de
importância histórica para o futuro da Grécia e da Europa, gostaria de oferecer
o relatório correto, dando à opinião pública europeia e mundial um quadro
responsável das reais intenções e posições do governo grego.
Depois da decisão
de 20 de fevereiro do Eurogrupo, nosso governo apresentou inúmeras propostas de reformas, buscando um acordo que combine
respeito ao veredicto do povo grego e às regras que governam o funcionamento da
eurozona. Concordamos, especialmente, com superávits primários menores (o
superávit orçamentário antes de pagarmos juros) para 2015 e 2016 e maiores para
os anos seguintes, na expectativa de que os superávits crescerão
correspondentemente às taxas de crescimento da economia grega.
Outra importante
proposta foi nosso compromisso de aumentar a renda pública, aliviando a carga
que pesa sobre cidadãos de baixa e média renda e aumentando-a para quem tenha
renda mais alta, os quais, até agora, ainda não haviam sido convocados a arcar
com a parte que lhes compete dessa crise, protegidos como sempre foram pelos
dois lados: pela elite política de meu próprio país e pela troika (Comissão Europeia, Banco Central Europeu e
Fundo Monetário Internacional), que fechou os olhos a essa evidência.
Mais do que isso,
desde seu primeiro dia no poder, o novo governo mostrou suas intenções e sua
determinação, ao introduzir medidas legislativas para confrontar as
fraudulentas transações triangulares, e ao intensificar controles fiscais e
aduaneiros para suprimir o contrabando e a evasão fiscal. Simultaneamente, pela
primeira vez em muitos anos o Estado grego cobrou as dívidas jamais resgatadas
de proprietários de veículos de mídia.
Que o clima está
mudado na Grécia é óbvio. Prova-se também pelo fato de que as cortes aceleraram
a tramitação dos processos, de modo que ações que envolvem evasão fiscal possam
ser levadas mais rapidamente a julgamento. Oligarcas habituados a viver sob a
proteção do sistema político têm hoje boas razões para se preocupar com as nossas
medidas.
Durante as
discussões com as instituições, nós não apenas expusemos nossa linha geral de
marcha, mas também apresentamos propostas específicas. Cobrimos assim grande
parte da distância que nos separou há alguns meses. Mais especificamente,
o lado grego concordou com embarcar numa série de reformas institucionais,
dentre as quais: reforçar a independência da ELSTAT (Agência Grega de
Estatísticas); fazer intervenções para acelerar a administração da justiça; e
intervenções nos mercados, para eliminar privilégios e distorções.
Além disso, embora
nos oponhamos diametralmente ao modelo de privatização que as instituições
pregam, porque não oferece nenhuma perspectiva de desenvolvimento e não
transfere recursos para a economia real, mas sempre e só para o pagamento da
dívida – e o qual, seja como for, não é viável –, aceitamos fazer algumas
pequenas mudanças no programa das privatizações, para fazer prova de nossa
intenção de caminhar na direção de uma reaproximação.
Concordamos também
com fazer uma grande reforma do Imposto sobre Valor Agregado, simplificando o
sistema e reforçando a dimensão redistributiva do imposto, com vistas a
aumentar tanto a abrangência do imposto como as receitas.
Apresentamos
propostas concretas para medidas que visar a um aumento suplementar da receita
(imposto excepcional sobre os benefícios muito elevados, imposto sobre jogos de
apostas online, aumento dos controles sobre grandes
depositantes fraudadores, imposto especial sobre produtos de luxo, concorrência
pública para concessões de radiotelevisão) que foram esquecidas, como por
acaso, pela troika durante cinco anos,
dentre outras ideias.
Essas medidas visam
a aumentar as receitas públicas, sem contribuir para a recessão, pois não
diminuem ainda mais a demanda efetiva e não impõem novos impostos e taxas sobre
rendas pequenas e médias.
Nos pusemos de
acordo, para empreender uma grande reforma do sistema de segurança social, com
unificação dos fundos de assistência social, supressão de disposições que
autorizam concessão de aposentadorias antecipadas, aumentando assim a idade
mínima para aposentadoria.
Devemos ter em
conta que as perdas nos fundos de assistência social, que levaram à questão de
como garantir-lhes viabilidade no médio prazo, são resultado de escolhas
políticas pelas quais são responsáveis os governos gregos que vieram antes de
nós, e principalmente a própria troika (diminuição
dos fundos de reserva das caixas em 25 bilhões de euros, em razão do “Private sector involvement” em 2012; e sobretudo a taxa
de desemprego muito elevada, que se explica quase exclusivamente pelo programa
de extrema ‘austeridade’ aplicado à Grécia desde 2010).
Finalmente, apesar
de nosso interesse em restabelecer imediatamente as normas europeias em matéria
de direito do trabalho, que foi completamente desconstruído nos últimos cinco
anos, sob o pretexto da competitividade, aceitamos pôr em andamento uma reforma
do mercado de trabalho, depois de consultas com o Organização Internacional do
Trabalho, e por ela validada.
Não mexer mais nas
aposentadorias
Levando em conta
tudo o que houve antes, podemos com razão nos perguntar por que os
representantes das instituições insistem em repetir que a Grécia não apresenta
propostas.
Por que continuar
sem fornecer liquidez monetária à economia grega, agora que a Grécia demonstrou
que pode cumprir suas obrigações exteriores, com o pagamento, a partir de
agosto de 2014 de mais de 17 bilhões de euros do principal e de juros (cerca de
10% de seu PIB), sem financiamento externo?
Finalmente, qual é
o interesse dos que vazam para a imprensa que não estamos nem perto de qualquer
acordo, quando se sabe que qualquer acordo permitirá pôr fim à incerteza
política e econômica que se vê no nível europeu e mundial, que se prolonga por
causa da questão grega?
A resposta não
oficial e alguns é que não estamos nem próximos de um acordo porque o lado
grego mantém suas posições com o objetivo de restabelecer as convenções
coletivas e recusa-se a diminuir ainda mais as aposentadorias.
Quanto a esses
pontos, devo dar algumas explicações: no que concerne ao primeiro, a posição da
Grécia é que a legislação do trabalho deve corresponder às normas europeias e
não violar de modo flagrante a legislação europeia. Não pedimos nada de mais
além do que vigora nos países da zona do euro. Nesse sentido, fizemos uma
declaração com o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker.
No que concerne ao
segundo ponto, o das aposentadorias, a posição do governo grego é bem
argumentada e lógica. A diminuição cumulada das aposentadorias na Grécia
durante os anos do Memorando alcança já de 20% a 48%: atualmente, 44,5% dos
aposentados recebem aposentadoria que está abaixo do limiar de pobreza relativa
e, segundo os dados da Eurostat, 23,1% dos aposentados vivem em condições de
risco de miséria e de exclusão social.
Essa situação, que
resulta da política do Memorando, não é tolerável, nem pela Grécia nem por
nenhum outro país civilizado.
É preciso, pois
falar das coisas como as coisas são: se ainda não chegamos a um acordo com
nossos parceiros, não é por causa de nossa intransigência ou de posições
incompreensíveis. A causa é, antes, a obsessão de alguns dos representantes das
instituições, que insistem em soluções não razoáveis, mostrando-se indiferentes
tanto ao resultado democrático das recentes eleições legislativas na Grécia
como às posições de instituições europeias e internacionais que se dizem
dispostas a demonstrar flexibilidade para respeitar o veredicto das urnas.
Por que aquela
obsessão? Explicação fácil seria dizer que ela resulta da intenção de alguns
representantes das instituições, interessados em encobrir o fracasso de seus
programas e em conseguir, a qualquer preço, uma validação para eles. Não se
pode além do mais esquecer que o FMI reconheceu publicamente, há alguns anos,
que se enganou sobre os efeitos devastadores dos cortes de orçamento que foram
impostos à Grécia.
Entendo que essa
abordagem não basta para explicar tudo. Não creio que o futuro da Europa possa
depender dessa obsessão de alguns atores.
As duas estratégias
opostas da Europa
Concluo afinal que
a questão grega não diz respeito exclusivamente à Grécia, mas encontra-se no
centro de um conflito entre duas estratégias opostas sobre o futuro da
integração europeia.
A primeira delas
visa aprofundar a integração europeia num contexto de igualdade e de
solidariedade entre povos e cidadãos. Os que defendem essa estratégia partem do
fato de que é inadmissível forçar o novo governo grego a aplicar as mesmas
políticas dos gabinetes que deixam o governo e que, além do mais, fracassaram
totalmente. É isso, ou teríamos de criar leis que suprimissem as eleições em
todos os países submetidos a programa de austeridade.
Seríamos assim
obrigados a aceitar que os primeiros-ministros e governos fossem impostos aos
diferentes países pelas instituições europeias e internacionais, e que os
cidadãos seriam privados do direito que hoje têm ao voto, até a “conclusão” de
cada programa de austeridade. Eles são conscientes de que isso equivaleria a
abolir a democracia na Europa, e ao início de uma ruptura inadmissível no seio
da União Europeia. Enfim, tudo resultaria no surgimento de um monstro
tecnocrático e no afastamento, da Europa, dos seus valores fundadores.
A segunda
estratégia conduz à ruptura e à divisão da zona euro, e, com isso, da União
Europeia. O primeiro passo nessa direção seria a formação de uma zona do euro
de duas velocidades, cujo núcleo central imporia as mais duras regras de
austeridade e de ajustamento. Esse núcleo central imporia também um
superministro de Finanças para a zona euro, que teria poder descomunal, com o
direito de recusar orçamentos nacionais, mesmo de estados soberanos, que não
estivessem conforme as doutrinas do neoliberalismo extremo.
Para todos os
países que se recusassem a abrir mão desse poder, a solução seria simples e a
punição, severa: aplicação obrigatória da austeridade e, mais que isso, de
restrições aos movimentos de capitais, sanções disciplinares, multas e até a
criação de uma moeda paralela ao euro.
É assim que o novo
poder europeu procura construir-se. A Grécia é sua primeira vítima. Já é até
apresentada como o mau exemplo que outros estados e povos europeus
desobedientes não devem copiar.
Mas o problema
fundamental é que essa segunda estratégia implica grandes riscos, que os que os
que a apoiam parecem não levar em conta. Essa segunda estratégia corre o risco
de ser o começo do fim, pois converte a zona euro, de união monetária, em
simples zona de taxa de câmbio. Mas, mais do que isso, inicia um processo de
incerteza política e econômica que poderia abalar o equilíbrio em todo o mundo
ocidental, de cima abaixo.
Hoje, a Europa está
numa encruzilhada. Depois das maiores concessões do governo grego, a decisão
não está mais em mãos das instituições da troika – as
quais, com exceção da Comissão Europeia, não têm representantes eleitos nem têm
de prestar contas ao povo –, mas está em mãos dos governantes europeus.
Que estratégia
predominará? A Europa da solidariedade, igualdade e democracia, ou a Europa da
ruptura e, essencialmente, da divisão?
Se há quem pense,
ou queira nos fazer crer, que essa questão diz respeito exclusivamente à
Grécia, estão gravemente errados. É o caso de recomendar-lhes o grande trabalho
de Ernest Hemingway, Por Quem os Sinos Dobram.
Um cidadão mipibuense que estudou em escola pública do fundamental ao médio. Licenciatura em Artes e é pós-graduado em Ética e em Artes na Sala de aula. Atualmente leciona artes no ensino fundamental e médio e filosofia no ensino médio e é estudioso no ramo das artes de sua cidade são josé de mipibu-RN.